Maria Ribeiro
Queria falar do meu amor
que é uma coisa que sinto grande demais aqui dentro
assim, um negócio gigante, que me faz questionar
a dimensão dos espaços
se existem mesmo
se delimitam as coisas, não delimitam a amor
então o amor não é grande nem pequeno
Ele é.
Fico pensando no amor que tenho por ti
imagino a possibilidade de fazer-te algum bem
então eu queria que meu amor fosse como um band-aid
para que possas colocar nalguma ferida que tenhas.
terça-feira, 17 de março de 2015
quinta-feira, 12 de março de 2015
Cada momento é eterno
Maria Ribeiro
Cada momento é único, e são tantos os momentos...
Somados, tornam-se uma eternidade
Nossa feliz eternidade!
Cada momento é único, e são tantos os momentos...
Somados, tornam-se uma eternidade
Nossa feliz eternidade!
Intróito
Maria Ribeiro
Podia ser que as coisas que são não fossem...
E, não sendo, as coisas que são, talvez seriam.
Assim nada seria ao mesmo tempo que tudo era.
Mas já que as coisas que não deveriam ser, são
Que as que não são, sejam
Assim, o que não era passa a ser
Deixando o que não é continuar não sendo.
A dificuldade é que o que não é teima em ser
E acaba sendo sem ser o que nunca foi
Fazendo o que é se passar por não ser
Mesmo sendo o que sempre foi.
Podia ser que as coisas que são não fossem...
E, não sendo, as coisas que são, talvez seriam.
Assim nada seria ao mesmo tempo que tudo era.
Mas já que as coisas que não deveriam ser, são
Que as que não são, sejam
Assim, o que não era passa a ser
Deixando o que não é continuar não sendo.
A dificuldade é que o que não é teima em ser
E acaba sendo sem ser o que nunca foi
Fazendo o que é se passar por não ser
Mesmo sendo o que sempre foi.
Desejo
Maria Ribeiro
Desejo é um beijo que ficou lá trás no tempo
longe dos olhares da censura
longe das invejas e dos ciúmes
longe dos corpos frios
e das mãos levianas.
Desejo é todo sabor de delícias
e todo perfume de almíscar e sândalo
e todo cheiro de mato, terra e mar.
Onde está o desejo
em teus olhos ou em teu coração?
Desejo é uma vontade incontida
que sai pelos poros
que mancha o tempo e quem mais estiver por perto.
Isto é o desejo
um cavalo alado e insano por vezes.
Sim.
Desejo é um beijo que ficou lá trás no tempo
longe dos olhares da censura
longe das invejas e dos ciúmes
longe dos corpos frios
e das mãos levianas.
Desejo é todo sabor de delícias
e todo perfume de almíscar e sândalo
e todo cheiro de mato, terra e mar.
Onde está o desejo
em teus olhos ou em teu coração?
Desejo é uma vontade incontida
que sai pelos poros
que mancha o tempo e quem mais estiver por perto.
Isto é o desejo
um cavalo alado e insano por vezes.
Sim.
A aplicabilidade da força moral
Maria Ribeiro
Fico pensando às vezes em como a pulga é um inseto insignificante. Tão insignificante que ninguém se interessa por ela. Ninguém sabe nada sobre ela, como se reproduz, quais os hábitos, ou a expectativa de vida... Puxa vida, como será a vida desse pobre ser! Mas aí, nas minhas divagações, vejo que uma pulga, a despeito da sua insignificância, quando quer incomodar, é um Deus nos acuda. Alguém já viu um cão pulguento? Pois é... um cão pulguento sofre muito, fica desorientado quando elas se juntam para atormentá-lo. Porque, talvez, o cão, ou mesmo outro grande animal, dê conta de aniquilar uma única pulga. Mas se há muitas pulgas, se elas se organizam e deliberam um plano de reação, o animal dificilmente sairá ileso. Pode até não se machucar, mas que vai perder o rumo, isso vai...
Fico pensando às vezes em como a pulga é um inseto insignificante. Tão insignificante que ninguém se interessa por ela. Ninguém sabe nada sobre ela, como se reproduz, quais os hábitos, ou a expectativa de vida... Puxa vida, como será a vida desse pobre ser! Mas aí, nas minhas divagações, vejo que uma pulga, a despeito da sua insignificância, quando quer incomodar, é um Deus nos acuda. Alguém já viu um cão pulguento? Pois é... um cão pulguento sofre muito, fica desorientado quando elas se juntam para atormentá-lo. Porque, talvez, o cão, ou mesmo outro grande animal, dê conta de aniquilar uma única pulga. Mas se há muitas pulgas, se elas se organizam e deliberam um plano de reação, o animal dificilmente sairá ileso. Pode até não se machucar, mas que vai perder o rumo, isso vai...
quarta-feira, 4 de março de 2015
A não-palavra
Maria Ribeiro
O silêncio às vezes é bom, às vezes é sábio, às vezes é necessário
e, sem jamais ser inútil
diz mais do que as palavras.
Mas o silêncio só não pode ser enigmático
pois o suspense tira-lhe a suavidade da boa expectativa.
Nascem dúvidas onde havia certezas quase exatas
Nasce o pessimismo onde havia esperança
Nasce desânimo onde havia vida...
Mas o silêncio é diferente da não-palavra
esta é acre, às vezes
e, às vezes, meio biliar.
Por dentro do silêncio ainda resta
algum sentimento doce, frio, tímido
magoado, triste ou macio.
Mas dentro da não-palavra há o vazio e o nada
a canga pesada recheada de fel
as sensações empedernidas, atrofiadas
e que não darão mais fruto algum.
O silêncio às vezes é bom, às vezes é sábio, às vezes é necessário
e, sem jamais ser inútil
diz mais do que as palavras.
Mas o silêncio só não pode ser enigmático
pois o suspense tira-lhe a suavidade da boa expectativa.
Nascem dúvidas onde havia certezas quase exatas
Nasce o pessimismo onde havia esperança
Nasce desânimo onde havia vida...
Mas o silêncio é diferente da não-palavra
esta é acre, às vezes
e, às vezes, meio biliar.
Por dentro do silêncio ainda resta
algum sentimento doce, frio, tímido
magoado, triste ou macio.
Mas dentro da não-palavra há o vazio e o nada
a canga pesada recheada de fel
as sensações empedernidas, atrofiadas
e que não darão mais fruto algum.
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