quarta-feira, 1 de julho de 2015
Idioma cardíaco
Meu coração pode falar melhor que eu mesma
porque sua linguagem é a pura linguagem da alma
E quão poucos entendem esta linguagem!
Isto é uma pena.
E ele fala com gestos que obrigam meus braços se moverem
para abraçarem a esperança de ver seu sorriso ou sentir o calor do seu hálito.
isto parece piegas ou antiquado
mas é uma verdade.
O idioma cardíaco poucos entendem
até mesmo o cérebro-comandante fica atordoado
é um conflito muito íntimo
que extrapola causando muitos embaraços:
onde os bons intérpretes?
porque os erros de tradução?
quando acontecerá uma bela grafia?
Oh deuses do amor! Sejam solidários conosco
não permitam que caiamos nas valas do escândalo
que é o desentendimento e a falsa interpretação.
É assim que clamam os desiludidos com a dor.
Porque o coração fala também pelos poros
pelos sentidos todos
pelo silêncio ainda mais.
Nem sempre estar em silêncio é estar sozinho.
Amizade e Palavrão (Crônica)
Maria Ribeiro
Se me conhecesse saberia que não aprecio os palavrões
mais por uma questão estética do que propriamente moral.
(e até digo: infelizmente!)
Saberia que apesar disso, nas descontrações entre pessoas
que considero muito íntimas,
corro o risco de tê-los saltando da boca,
numa entrega profunda que só acontece nas conversas
entre pessoas que se querem bem.
É como se fosse o ato de espreguiçar
ou de bocejar sem constrangimento.
Porque as pessoas íntimas conhecem nossos desejos
e sabem compreender nossos momentos infelizes até melhor que nós mesmos.
ou de bocejar sem constrangimento.
Porque as pessoas íntimas conhecem nossos desejos
e sabem compreender nossos momentos infelizes até melhor que nós mesmos.
Mas às vezes muito nos enganamos:
julgamos próximos demais aqueles que na verdade estão distantes,
que não perceberam que os anos e as histórias se entrelaçaram
se fazendo quase uma só coisa.
E aproveito o instante para refletir comigo mesma sobre o palavrão.
Peço licença aos prováveis leitores para o monólogo, e, cuidado:
posso me descontrair...
Afinal, quando um palavrão pode ofender?
Em que circunstância uma destas "palavras feias"(?)
sugere momento desenvolto
baixeza de conduta
fraqueza de caráter
ou sentimento antissocial?
"Ah", dirão alguns, "mas o palavrão não pode ser dito
nem a qualquer hora, nem em qualquer lugar"
e serei a primeira a concordar com a ideia.
Porque sabemos que o mundo é hipócrita
e as pessoas preferem as ilusões
a ponto de absterem-se de conhecer a face inteira das outras.
Parece um pecado mortal que alguém diga algo julgado socialmente imoral
seja porque dói nos ouvidos
seja porque fere um orgulho.
seja porque dói nos ouvidos
seja porque fere um orgulho.
E para não contrariar nem ferir suscetibilidades
seria preferível se limitar apenas nas belas expressões
ainda que não sejam verdadeiras... e isto é um pouco lamentável.
Uma pena que todos estes anos foram insuficientes
para que se fizesse um conhecimento completo um do outro.
Sim! também eu me surpreendi com sua decepção.
Talvez você acredite que a intelectualidade esteja condensada
em palavras difíceis e até ininteligíveis.
Mas a verdade é que muitas vezes estas estão
embelezadas por adjetivos vazios e predicados incoerentes
(mas falo das entrelinhas).
E assim, de agora em diante, saiba que fiz um falso juízo de ti:
seria capaz de jurar que era um amigo muito próximo
e que tinha a liberdade de espreguiçar na sua frente.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Voo para o encontro
Maria Ribeiro
Nem sei de verdade o que é amor
mas sei o que amor não é:
impaciência, intromissão, indelicadeza.
Acho que existem dois tipos de sentimentos:
o alegre e o triste.
O amor é um sentimento alegre
e seus opositores, tristes.
Sua natureza mesma é a pressa, a ansiedade gostosa.
Eu queria ser uma ave agora.
Nem sei de verdade o que é amor
mas sei o que amor não é:
impaciência, intromissão, indelicadeza.
Acho que existem dois tipos de sentimentos:
o alegre e o triste.
O amor é um sentimento alegre
e seus opositores, tristes.
Sua natureza mesma é a pressa, a ansiedade gostosa.
Eu queria ser uma ave agora.
Tristeza
Maria Ribeiro
O amor não dói - ele consola
O que dói é a ausência do Ser amado
é uma amargura que caminha do tórax à pelve
é um desconforto contínuo que nenhuma piada pode pôr fim
é um mal estar perene, silencioso e devastador
é uma angústia profunda, dilacerante, inquietante
e o mais cruel é que tudo isto é
franco, existente, real.
Não podia ser apenas uma suposição
uma hipótese, uma ilusão?
Não caibo em mim de falta de você
Eu queria ser uma mentira
Mentiras nunca ficam em carne viva.
O amor não dói - ele consola
O que dói é a ausência do Ser amado
é uma amargura que caminha do tórax à pelve
é um desconforto contínuo que nenhuma piada pode pôr fim
é um mal estar perene, silencioso e devastador
é uma angústia profunda, dilacerante, inquietante
e o mais cruel é que tudo isto é
franco, existente, real.
Não podia ser apenas uma suposição
uma hipótese, uma ilusão?
Não caibo em mim de falta de você
Eu queria ser uma mentira
Mentiras nunca ficam em carne viva.
terça-feira, 17 de março de 2015
Um curativo
Maria Ribeiro
Queria falar do meu amor
que é uma coisa que sinto grande demais aqui dentro
assim, um negócio gigante, que me faz questionar
a dimensão dos espaços
se existem mesmo
se delimitam as coisas, não delimitam a amor
então o amor não é grande nem pequeno
Ele é.
Fico pensando no amor que tenho por ti
imagino a possibilidade de fazer-te algum bem
então eu queria que meu amor fosse como um band-aid
para que possas colocar nalguma ferida que tenhas.
Queria falar do meu amor
que é uma coisa que sinto grande demais aqui dentro
assim, um negócio gigante, que me faz questionar
a dimensão dos espaços
se existem mesmo
se delimitam as coisas, não delimitam a amor
então o amor não é grande nem pequeno
Ele é.
Fico pensando no amor que tenho por ti
imagino a possibilidade de fazer-te algum bem
então eu queria que meu amor fosse como um band-aid
para que possas colocar nalguma ferida que tenhas.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Cada momento é eterno
Maria Ribeiro
Cada momento é único, e são tantos os momentos...
Somados, tornam-se uma eternidade
Nossa feliz eternidade!
Cada momento é único, e são tantos os momentos...
Somados, tornam-se uma eternidade
Nossa feliz eternidade!
Intróito
Maria Ribeiro
Podia ser que as coisas que são não fossem...
E, não sendo, as coisas que são, talvez seriam.
Assim nada seria ao mesmo tempo que tudo era.
Mas já que as coisas que não deveriam ser, são
Que as que não são, sejam
Assim, o que não era passa a ser
Deixando o que não é continuar não sendo.
A dificuldade é que o que não é teima em ser
E acaba sendo sem ser o que nunca foi
Fazendo o que é se passar por não ser
Mesmo sendo o que sempre foi.
Podia ser que as coisas que são não fossem...
E, não sendo, as coisas que são, talvez seriam.
Assim nada seria ao mesmo tempo que tudo era.
Mas já que as coisas que não deveriam ser, são
Que as que não são, sejam
Assim, o que não era passa a ser
Deixando o que não é continuar não sendo.
A dificuldade é que o que não é teima em ser
E acaba sendo sem ser o que nunca foi
Fazendo o que é se passar por não ser
Mesmo sendo o que sempre foi.
Desejo
Maria Ribeiro
Desejo é um beijo que ficou lá trás no tempo
longe dos olhares da censura
longe das invejas e dos ciúmes
longe dos corpos frios
e das mãos levianas.
Desejo é todo sabor de delícias
e todo perfume de almíscar e sândalo
e todo cheiro de mato, terra e mar.
Onde está o desejo
em teus olhos ou em teu coração?
Desejo é uma vontade incontida
que sai pelos poros
que mancha o tempo e quem mais estiver por perto.
Isto é o desejo
um cavalo alado e insano por vezes.
Sim.
Desejo é um beijo que ficou lá trás no tempo
longe dos olhares da censura
longe das invejas e dos ciúmes
longe dos corpos frios
e das mãos levianas.
Desejo é todo sabor de delícias
e todo perfume de almíscar e sândalo
e todo cheiro de mato, terra e mar.
Onde está o desejo
em teus olhos ou em teu coração?
Desejo é uma vontade incontida
que sai pelos poros
que mancha o tempo e quem mais estiver por perto.
Isto é o desejo
um cavalo alado e insano por vezes.
Sim.
A aplicabilidade da força moral
Maria Ribeiro
Fico pensando às vezes em como a pulga é um inseto insignificante. Tão insignificante que ninguém se interessa por ela. Ninguém sabe nada sobre ela, como se reproduz, quais os hábitos, ou a expectativa de vida... Puxa vida, como será a vida desse pobre ser! Mas aí, nas minhas divagações, vejo que uma pulga, a despeito da sua insignificância, quando quer incomodar, é um Deus nos acuda. Alguém já viu um cão pulguento? Pois é... um cão pulguento sofre muito, fica desorientado quando elas se juntam para atormentá-lo. Porque, talvez, o cão, ou mesmo outro grande animal, dê conta de aniquilar uma única pulga. Mas se há muitas pulgas, se elas se organizam e deliberam um plano de reação, o animal dificilmente sairá ileso. Pode até não se machucar, mas que vai perder o rumo, isso vai...
Fico pensando às vezes em como a pulga é um inseto insignificante. Tão insignificante que ninguém se interessa por ela. Ninguém sabe nada sobre ela, como se reproduz, quais os hábitos, ou a expectativa de vida... Puxa vida, como será a vida desse pobre ser! Mas aí, nas minhas divagações, vejo que uma pulga, a despeito da sua insignificância, quando quer incomodar, é um Deus nos acuda. Alguém já viu um cão pulguento? Pois é... um cão pulguento sofre muito, fica desorientado quando elas se juntam para atormentá-lo. Porque, talvez, o cão, ou mesmo outro grande animal, dê conta de aniquilar uma única pulga. Mas se há muitas pulgas, se elas se organizam e deliberam um plano de reação, o animal dificilmente sairá ileso. Pode até não se machucar, mas que vai perder o rumo, isso vai...
quarta-feira, 4 de março de 2015
A não-palavra
Maria Ribeiro
O silêncio às vezes é bom, às vezes é sábio, às vezes é necessário
e, sem jamais ser inútil
diz mais do que as palavras.
Mas o silêncio só não pode ser enigmático
pois o suspense tira-lhe a suavidade da boa expectativa.
Nascem dúvidas onde havia certezas quase exatas
Nasce o pessimismo onde havia esperança
Nasce desânimo onde havia vida...
Mas o silêncio é diferente da não-palavra
esta é acre, às vezes
e, às vezes, meio biliar.
Por dentro do silêncio ainda resta
algum sentimento doce, frio, tímido
magoado, triste ou macio.
Mas dentro da não-palavra há o vazio e o nada
a canga pesada recheada de fel
as sensações empedernidas, atrofiadas
e que não darão mais fruto algum.
O silêncio às vezes é bom, às vezes é sábio, às vezes é necessário
e, sem jamais ser inútil
diz mais do que as palavras.
Mas o silêncio só não pode ser enigmático
pois o suspense tira-lhe a suavidade da boa expectativa.
Nascem dúvidas onde havia certezas quase exatas
Nasce o pessimismo onde havia esperança
Nasce desânimo onde havia vida...
Mas o silêncio é diferente da não-palavra
esta é acre, às vezes
e, às vezes, meio biliar.
Por dentro do silêncio ainda resta
algum sentimento doce, frio, tímido
magoado, triste ou macio.
Mas dentro da não-palavra há o vazio e o nada
a canga pesada recheada de fel
as sensações empedernidas, atrofiadas
e que não darão mais fruto algum.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Sutil
Maria Ribeiro
O corpo adormece enquanto
o Ser se deixa ir na leveza
a alegria se traduz em pranto.
A sensação de um encontro: certeza
a esperança de um abraço: enlace
frustração: o tempo é longo.
Tão boa a sensação, é gloriosa
a vida e sua multiface -
se deixar ir sem embaraços.
Não há o medo, há a verdade
se deixar ir pelos espaços
vivenciando a liberdade.
A busca por você pelos cantos
estás aqui ou onde?
acaso você se esconde?
Habitas um espaço, é certo
estás em algum canto do invisível
algum lugar que os olhos não alcançam
mas que, ao coração, é possível.
O corpo adormece enquanto
o Ser se deixa ir na leveza
a alegria se traduz em pranto.
A sensação de um encontro: certeza
a esperança de um abraço: enlace
frustração: o tempo é longo.
Tão boa a sensação, é gloriosa
a vida e sua multiface -
se deixar ir sem embaraços.
Não há o medo, há a verdade
se deixar ir pelos espaços
vivenciando a liberdade.
A busca por você pelos cantos
estás aqui ou onde?
acaso você se esconde?
Habitas um espaço, é certo
estás em algum canto do invisível
algum lugar que os olhos não alcançam
mas que, ao coração, é possível.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Ainda bem
Maria Ribeiro
Tão lindo a gente abraçadinho no sonho que não era sonho...
ainda bem que depois da vida não encontramos o fim
ainda bem que existe depois da vida, porque ela é infinita
ainda bem que durante a vida é possível morrer de amores
só para depois ter uma história para contar sobre a vida e os romances
A vida e os romances podem ser doces
para a gente levar para depois da vida
noutra vida mais plena
ainda bem que há vida plena
para a gente descansar um pouco
do tempo em que houve algum amargor
Ainda bem que há depois, e os amores não são antes, nem durante nem depois
porque os amores são como deuses que se perpetuam sem prestar contas
eles aniquilam toda ideia antipática à sua existência e supremacia
porque os amores e os deuses são assim: irresistíveis.
Ainda bem que há o imutável
pois se amores mudassem perderiam sua mais encantadora característica - a receptividade
pois os amores, como os deuses, aceitam e recebem tudo
mesmo a ignorância dos que resolvem abraçá-los
sem saber exatamente o que se passa...
Ainda bem que existe vida plena
noutra vida, noutro lado, noutros planos
ou será que eu sonho?
Tão lindo a gente abraçadinho no sonho que não era sonho...
ainda bem que depois da vida não encontramos o fim
ainda bem que existe depois da vida, porque ela é infinita
ainda bem que durante a vida é possível morrer de amores
só para depois ter uma história para contar sobre a vida e os romances
A vida e os romances podem ser doces
para a gente levar para depois da vida
noutra vida mais plena
ainda bem que há vida plena
para a gente descansar um pouco
do tempo em que houve algum amargor
Ainda bem que há depois, e os amores não são antes, nem durante nem depois
porque os amores são como deuses que se perpetuam sem prestar contas
eles aniquilam toda ideia antipática à sua existência e supremacia
porque os amores e os deuses são assim: irresistíveis.
Ainda bem que há o imutável
pois se amores mudassem perderiam sua mais encantadora característica - a receptividade
pois os amores, como os deuses, aceitam e recebem tudo
mesmo a ignorância dos que resolvem abraçá-los
sem saber exatamente o que se passa...
Ainda bem que existe vida plena
noutra vida, noutro lado, noutros planos
ou será que eu sonho?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Definição de saudade
Maria Ribeiro
A Elcio Ferreira Marques
Saudade é um roedor de dentes muito agudos que age sem trégua no silêncio da tristeza mais profunda.
Para quê dizer mais?
A Elcio Ferreira Marques
Saudade é um roedor de dentes muito agudos que age sem trégua no silêncio da tristeza mais profunda.
Para quê dizer mais?
Razão
Maria Ribeiro
Escrevo para fugir do mundo
para encontrar o mundo dos sentimentos nas palavras
Escrevo para fugir de mim mesma
Ou me sentir mais eu mesma.
Assim, as horas passam
os dias passam
as nuvens passam.
O tempo no seu compasso
clama por menos desatino.
Mas, e a pressa?
A pressa é louca ou assanhada?
Intolerante ou displicente?
O tempo não tem pressa
Os amores têm.
Por isto escrevo
para fugir de mim
para me sentir mais eu.
Eu escrevo para brincar com as palavras
Pois descobri que também elas se divertem
Ao se encontrarem elas vibram
E é possível perceber como tudo faz mais sentido.
No encontro cúmplice das palavras
Só resta à escritora a resignação: elas se amam!
e não podem abandonar mais o papel.
É por isto que escrevo
para fugir de mim mesma
para me sentir mais eu mesma.
Escrevo para fugir do mundo
para encontrar o mundo dos sentimentos nas palavras
Escrevo para fugir de mim mesma
Ou me sentir mais eu mesma.
Assim, as horas passam
os dias passam
as nuvens passam.
O tempo no seu compasso
clama por menos desatino.
Mas, e a pressa?
A pressa é louca ou assanhada?
Intolerante ou displicente?
O tempo não tem pressa
Os amores têm.
Por isto escrevo
para fugir de mim
para me sentir mais eu.
Eu escrevo para brincar com as palavras
Pois descobri que também elas se divertem
Ao se encontrarem elas vibram
E é possível perceber como tudo faz mais sentido.
No encontro cúmplice das palavras
Só resta à escritora a resignação: elas se amam!
e não podem abandonar mais o papel.
É por isto que escrevo
para fugir de mim mesma
para me sentir mais eu mesma.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Labirinto
Maria Ribeiro
Sonho: sonhar, sonhei
Perfume: senti, amei
seu cheiro assim
florido em mar
criei
jardim: plantar, floriu
encanto: sorrir, romancear
teus olhos fechados
janelas no céu
abri
abraço e recanto
das luas que dançam
eu beijo a solidão e a saudade
me abraça.
Sonho: sonhar, sonhei
Perfume: senti, amei
seu cheiro assim
florido em mar
criei
jardim: plantar, floriu
encanto: sorrir, romancear
teus olhos fechados
janelas no céu
abri
abraço e recanto
das luas que dançam
eu beijo a solidão e a saudade
me abraça.
Reflexãozinha
Maria Ribeiro
Aos subversivos:
A indiferença é um lugar muito perigoso
mais do que a timidez e o medo são anestesiantes.
Alguém disse:
o absurdo da vida é conduzi-la sem muitos cuidados.
Só que enquanto tanta coisa acontece
absolutamente nada é feito.
Efeito.
Aos subversivos:
A indiferença é um lugar muito perigoso
mais do que a timidez e o medo são anestesiantes.
Alguém disse:
o absurdo da vida é conduzi-la sem muitos cuidados.
Só que enquanto tanta coisa acontece
absolutamente nada é feito.
Efeito.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
In caritate perpetua
Maria Ribeiro
Bem que era possível um recomeço
mas de repente, o irreversível.
Passei a olhar o horizonte sem me entristecer
porque todo mundo sabe
que além dele há algo muito belo escondido
e que é bom e mais compassivo.
E não é que os sonhos não morrem jamais?
Mas eles não morrem, não por serem eternos
mas por serem possíveis.
E esta possibilidade é que os torna atraentes
não a sua eternidade...
a sua eternidade os torna sofridos.
Bem que era possível um recomeço
mas de repente, o irreversível.
Passei a olhar o horizonte sem me entristecer
porque todo mundo sabe
que além dele há algo muito belo escondido
e que é bom e mais compassivo.
E não é que os sonhos não morrem jamais?
Mas eles não morrem, não por serem eternos
mas por serem possíveis.
E esta possibilidade é que os torna atraentes
não a sua eternidade...
a sua eternidade os torna sofridos.
Uma certa sutileza de atitude
Maria Ribeiro
A felicidade podia ser um bichinho
se fosse, seria uma joaninha - o bichinho mais bonito de todos!
Só que tinha que ser uma joaninha adaptada com um ferrão
assim, toda vez que ela picasse, deixaria seu rasto:
- os sorrisos sinceros seriam mais comuns
- os olhares ternos também
- toda a grandeza humana se faria presente.
Os estados d'alma, tranquilos, perenes...
Poderíamos até ter um viveiro de joaninhas
e depois que procriassem, espalharíamos pelo mundo.
A Terra, um jardim, colorida, vibrante...
e sem culpa.
A felicidade podia ser um bichinho
se fosse, seria uma joaninha - o bichinho mais bonito de todos!
Só que tinha que ser uma joaninha adaptada com um ferrão
assim, toda vez que ela picasse, deixaria seu rasto:
- os sorrisos sinceros seriam mais comuns
- os olhares ternos também
- toda a grandeza humana se faria presente.
Os estados d'alma, tranquilos, perenes...
Poderíamos até ter um viveiro de joaninhas
e depois que procriassem, espalharíamos pelo mundo.
A Terra, um jardim, colorida, vibrante...
e sem culpa.
Porcos, galinhas, vacas e ... víboras!
Maria Ribeiro
Lugarejos e sua singular agitação
Água parada nas encostas das ruas
Tudo muito estreito, muito junto,
Muito longe de tudo
Sensação anônima de conforto e solidão.
Eu andei no escuro
Encontro de pessoas e seus sorrisos...
Quantas esperanças ali moram...
E quantos sonhos... ah os sonhos...
E as recordações escondidas?
Até que...
Poderia ser um toco
uma pedra
ou um monte de estrume
Aquela figura ereta, austera
toda dona de si
bem ali, visível.
E olhos brilhantes e arregalados
como se tudo soubessem.
E como era imponente!
Eu poderia correr assustada
Mas uma coragem desceu
sobre minha pálida pessoa
e eu fui sem voltar os olhos
novamente para
aquela curiosa forma de vida.
Um sapo!
Lugarejos e sua singular agitação
Água parada nas encostas das ruas
Tudo muito estreito, muito junto,
Muito longe de tudo
Sensação anônima de conforto e solidão.
Eu andei no escuro
Encontro de pessoas e seus sorrisos...
Quantas esperanças ali moram...
E quantos sonhos... ah os sonhos...
E as recordações escondidas?
Até que...
Poderia ser um toco
uma pedra
ou um monte de estrume
Aquela figura ereta, austera
toda dona de si
bem ali, visível.
E olhos brilhantes e arregalados
como se tudo soubessem.
E como era imponente!
Eu poderia correr assustada
Mas uma coragem desceu
sobre minha pálida pessoa
e eu fui sem voltar os olhos
novamente para
aquela curiosa forma de vida.
Um sapo!
A Sombra das nuvens
Maria Ribeiro
Às paisagens esquecidas:
Nada da vegetação exuberante
das flores desabrochando ao longo do caminho
do cheiro do mato e da terra
Tudo se resume em azul e branco, azul e branco,
branco e azul.
Uma razão qualquer foi mais forte que o desejo...
de ver tanta beleza de perto.
E tudo o que se tem
é a monotonia de uma velocidade absurda.
Porque está-se muito acima
da sombra das nuvens.
Rejeição
Maria Ribeiro
Quis só um abraço ou uma palavra amena
Nada veio
além da certeza de que o outono chegara mesmo
e em breve as árvores estariam desnudas.
Folhas pelo chão são como lágrimas
Mas há aquelas que se ocultam
e a única testemunha é o travesseiro.
Quis só um abraço ou uma palavra amena
Nada veio
além da certeza de que o outono chegara mesmo
e em breve as árvores estariam desnudas.
Folhas pelo chão são como lágrimas
Mas há aquelas que se ocultam
e a única testemunha é o travesseiro.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Tentativa
Maria Ribeiro
Se hoje o homem voa
É que alguém um dia
ousou experimentar.
O que seria se a gente
resolvesse de manhã não se levantar
só para dar tempo de a tarde chegar?
Muita música tocaria
e tempo suficiente seria
para se ler algumas páginas
de um bom livro de poesia.
Preste atenção
Mesmo você na contramão
nunca deixe de se mover.
Por que o mundo continua girando
e alguém, com certeza, tentando.
A persistência é que faz tudo acontecer.
Se hoje o homem voa
É que alguém um dia
ousou experimentar.
O que seria se a gente
resolvesse de manhã não se levantar
só para dar tempo de a tarde chegar?
Muita música tocaria
e tempo suficiente seria
para se ler algumas páginas
de um bom livro de poesia.
Preste atenção
Mesmo você na contramão
nunca deixe de se mover.
Por que o mundo continua girando
e alguém, com certeza, tentando.
A persistência é que faz tudo acontecer.
O limite
Maria Ribeiro
Antes de ser uma condição
liberdade é um sentimento
vestido com asas de aço
cravado em chão de cimento.
É um voar sem sair do lugar.
A pipa não corta o céu
livre como um balé?
Mas há um termo em seu carretel
ou isso você vê?
Antes de ser uma condição
liberdade é um sentimento
vestido com asas de aço
cravado em chão de cimento.
É um voar sem sair do lugar.
A pipa não corta o céu
livre como um balé?
Mas há um termo em seu carretel
ou isso você vê?
Palavras
Maria Ribeiro
Elas fogem do meu contexto
pairam no céu da minha boca
formigam na ponta da minha língua
se escondem no íntimo do meu peito.
Nem sempre belas, mas são ditas
massageiam o ego, ou simplesmente
ofendem sem dó, oh malditas
sem compaixão ter da gente.
Assim são todas, e quase sempre
poderosas, implacáveis, destemidas
as palavras que proferimos.
Diante ou longe dos que nos cercam
se choramos ou se rimos
uma vez faladas, estão ditas.
Elas fogem do meu contexto
pairam no céu da minha boca
formigam na ponta da minha língua
se escondem no íntimo do meu peito.
Nem sempre belas, mas são ditas
massageiam o ego, ou simplesmente
ofendem sem dó, oh malditas
sem compaixão ter da gente.
Assim são todas, e quase sempre
poderosas, implacáveis, destemidas
as palavras que proferimos.
Diante ou longe dos que nos cercam
se choramos ou se rimos
uma vez faladas, estão ditas.
Lembrança singular
Maria Ribeiro
Às vezes me lembro
daquela boneca
que não pude ter
(Faz tantos anos...)
Alguém a comprou
brincou com ela
se divertiu.
Que nome lhe deram?
Será que o verde do seu vestido desbotou?
Às vezes me lembro
daquela boneca
que não pude ter
(Faz tantos anos...)
Alguém a comprou
brincou com ela
se divertiu.
Que nome lhe deram?
Será que o verde do seu vestido desbotou?
Saudade
Maria Ribeiro
Minhas lembranças são vivas
se mexem, me entristecem
não tenho só más lembranças
só que as boas me dão saudade.
Minhas lembranças estão vivas
magoam, machucam.
Todas as minhas lembranças
são só minhas.
Isso fere.
Minhas lembranças são vivas
se mexem, me entristecem
não tenho só más lembranças
só que as boas me dão saudade.
Minhas lembranças estão vivas
magoam, machucam.
Todas as minhas lembranças
são só minhas.
Isso fere.
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