Maria Ribeiro
O silêncio às vezes é bom, às vezes é sábio, às vezes é necessário
e, sem jamais ser inútil
diz mais do que as palavras.
Mas o silêncio só não pode ser enigmático
pois o suspense tira-lhe a suavidade da boa expectativa.
Nascem dúvidas onde havia certezas quase exatas
Nasce o pessimismo onde havia esperança
Nasce desânimo onde havia vida...
Mas o silêncio é diferente da não-palavra
esta é acre, às vezes
e, às vezes, meio biliar.
Por dentro do silêncio ainda resta
algum sentimento doce, frio, tímido
magoado, triste ou macio.
Mas dentro da não-palavra há o vazio e o nada
a canga pesada recheada de fel
as sensações empedernidas, atrofiadas
e que não darão mais fruto algum.
Nenhum comentário:
Postar um comentário